Arquitetura

Os Impactos do Coronavírus na Arquitetura

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A pandemia do novo coronavírus, o COVID-19, tem causado mudanças na vida das pessoas e na arquitetura. O que antes era tido como normal, não é mais a realidade atual e essas mudanças deixarão marcas na sociedade.  Além das máscaras e luvas, o modo como as pessoas se relacionam entre si e com espaços públicos tem mudado, já que o distanciamento social é necessário para combater a disseminação do vírus. 

Com a implantação das medidas necessárias para reduzir a contaminação, como distanciamento em locais públicos, adaptação ao trabalho em home office, bem como outras mudanças, é impossível não refletir sobre os ambientes em que habitamos, o futuro deles e de nossas cidades. Para atender as necessidades do que será considerado o novo modo normal de vida, a arquitetura terá que se adequar às novas dinâmicas urbanas. 

 

Histórico 

A pandemia do novo coronavírus não é a primeira a afetar o design de nossas residências, espaços urbanos e áreas de convívio. Grandes epidemias, como por exemplo a tuberculose e a disenteria, ocorridas no passado, afetaram também a forma como as pessoas pensavam os espaços. 

Grande parte do mobiliário e da disposição dos ambientes que temos atualmente, está relacionada às medidas sanitárias tomadas nos séculos 19 e 20. Naquela época, pouco se sabia sobre doenças, vírus e bactérias e foi necessário adotar leis sanitaristas para que as pessoas varressem suas casas ou lavassem suas mãos, coisas que hoje em dia, parecem obvias aos nossos olhos. Mas o que isso tem a ver com a arquitetura?

O movimento modernista é uma consequência de uma vontade de erradicar salas escuras e empoeiradas, com aspecto sujo, onde ocorre a proliferação de bactérias. Ambientes longos, brancos e retilíneos foram projetados para passar um ar de limpeza, assim como a adoção de janelas em quartos, que antes, eram completamente fechados.

Além disso, houve a mudança do design de vários itens presentes em nossas casas para tentar conter essas doenças infecciosas. Os armários, por exemplo, foram criados para concentrar em apenas um local, todas as roupas que antes eram armazenadas em diversos móveis espalhados pelo cômodo, ajudando desta forma na limpeza do ambiente. Os azulejos das cozinhas, também foram adotados e associados à limpeza. Os lavabos foram criados para auxiliar e facilitar a higienização das mãos, uma vez que foram dispostos perto da sala de entrada, de forma a não ser necessário o compartilhamento do banheiro da família. 

 

Mas o que isso interfere na minha vida?

Com os efeitos da quarentena e passando mais tempo em casa, começamos a notar os espaços e objetos que muitas vezes passavam despercebidos, em função da vida agitada que levamos. Nos próximos parágrafos iremos abordar sobre estes espaços e algumas mudanças possíveis em cada um. Com isso, faremos uma reflexão de como a arquitetura pode ajudar na melhoria das vidas pós pandemia e também, possivelmente auxiliar no combate possíveis novas pandemias como a que vivemos atualmente.

 

  • Residências 

Esses espaços que, em muitos casos eram apenas dormitórios, com a chegada do coronavírus passaram a ter uma nova rotina em tempo integral. Começamos a notar mínimos detalhes e falhas existentes em nossas casas. Com isso, passamos a questionar se precisamos de todos ornamentos e objetos, uma vez que quanto menos deles, mais livres nos sentimos. 

As reuniões por plataformas virtuais estão cada vez mais recorrentes e assim, se faz necessária a existência de divisões acústicas, em virtude de a família inteira estar dentro de casa e precisar de espaços privados, que não tenham ruídos externos. Isso faz com que os “lofts”, modelos de apartamento muito populares hoje em dia, comecem a perder essa popularidade, já que possuem espaços que fluem juntos e não separadamente. 

Depois da quarentena, possivelmente quando as pessoas forem adquirir um novo imóvel, avaliarão aquele espaço imaginando como seria ficar presos ali por muito tempo. A busca por quartos mais espaçosos, que incluam local para as mesas de trabalho, será cada vez maior, uma vez que o modelo de home office pode ser adotado no futuro por mais pessoas.

Além disso, os espaços exteriores, como varandas, provavelmente terão uma maior procura. A importância de ter um espaço para ser uma válvula de escape ao ar livre dentro das próprias casas terá um alto valor para as pessoas. Essa conexão com a natureza, a possibilidade de ter uma horta ou fazer jardinagem, será muito mais valorizada depois desse tempo em que estar em ambientes públicos deve ser evitado. 

Os espaços pessoais de nossas residências precisarão ser virtualmente conectados e enriquecidos fisicamente, de maneira a atender às necessidades que o mundo terá daqui para frente. 

 

  • Escritórios e Comércios

Quando comércios e escritórios voltarem a funcionar, as mudanças também serão necessárias e o que antes era normal, terá que ser reinventado. Medidas profiláticas de distanciamento terão que ser criadas, de forma a oferecer o mínimo de riscos possíveis para todos. 

A higienização dos locais terá que ser cada vez mais rigorosa, além de que deve ser constantemente lembrada, tanto a funcionários como clientes, e a escolha de um restaurante, por exemplo, passará a ser mais baseada nesses critérios de segurança do que na estética do local. 

Em algumas cidades o comércio começou a se reinventar para se adequar a esse novo estilo de vida. Muitos restaurantes começaram a adotar estratégias para cumprir as recomendações da OMS, mas ao mesmo tempo proporcionar conforto e comodidade para seus clientes. Um exemplo disso é um restaurante holandês que construiu cabines de vidro em torno de suas mesas ao ar livre para proteger clientes e garçons uns dos outros.  

Com mais pessoas trabalhando remotamente, há a possiblidade de edifícios comerciais sofrerem um leve esvaziamento, trazendo uma chance de transforma-los em edifícios de usos mistos e dessa forma, não perderão a sua funcionalidade. Além disso, será necessária a adaptação desses ambientes para que as pessoas possam trabalhar em segurança. Escritórios provavelmente diminuirão a sua capacidade de lotação e utilizar estratégias para evitar ao máximo o contato entre as pessoas. Um exemplo é o 6 Feet Office, escritório em Amsterdã, que colocou carpetes com desenhos delimitando o espaço de cada funcionário.

 

  • Cidades

As cidades já têm sido afetadas, indiretamente, pela quarentena. Com a diminuição da quantidade de carros circulando, a poluição sonora e do ar diminuiu consideravelmente. Dessa forma, há uma melhora na qualidade de vida das pessoas que andam nas ruas. Isso possibilita as pessoas a terem uma nova experiência na cidade, que muitas vezes foi projetada para os carros. Há uma maior ocupação do espaço público, sem estar relacionada a atividades comerciais.  

O impacto da pandemia no urbanismo já vem aparecendo em pequenas mudanças que podem ser implementadas mais rapidamente do que edifícios e comércio. Um exemplo disso é a cidade de Nova York que construiu 40km de ruas apenas para pedestres, com o intuito de expandir o acesso ao ar livre. Em São Paulo, organizações tem se juntado para pressionar autoridades para criar ciclovias, ampliar calçadas, para que o deslocamento possa ocorrer a pé, de maneira mais segura. 

Ao longo da pandemia o espaço urbano está sendo colocado em foco, coisa que não acontecia antes. Passamos a valorizar mais espaços abertos, como praças e parques, e esses ambientes passaram a ter uma atenção antes não vista. O paisagismo começou a ser uma área de maior interesse possivelmente só tende a aumentar, após a pandemia. 

 

É inegável que a arquitetura pós pandemia, apresentará grandes mudanças, não só nos edifícios e cidades, mas também na forma de nos relacionarmos. As medidas sanitárias são cada vez mais uma pauta necessária que influenciará diretamente na concepção da arquitetura nos próximos anos. 

 

E então, gostou dessa matéria? Continue com a visita em nosso blog! Leia agora mesmo o texto Home Office em Tempos de Pandemia e fique ainda mais por dentro deste assunto! 

 

Autora: Cecília Moreira

Referências

https://visao.sapo.pt/opiniao/bolsa-de-especialistas/2020-04-20-de-que-forma-esta-pandemia-afetou-e-ira-afetar-o-mundo-do-design-de-interiores-e-da-arquitetura-o-que-mudara/

https://www.archdaily.com.br/br/941911/apos-o-coronavirus-o-que-sera-do-paisagismo

https://www.archdaily.com.br/br/942646/hiperstudio-propoe-transformar-edificios-comerciais-em-conjuntos-de-uso-misto-apos-pandemia

https://casa.abril.com.br/moveis-acessorios/como-as-epidemias-da-historia-moldaram-o-design-atual-da-casa/

6 thoughts on “Os Impactos do Coronavírus na Arquitetura

  1. Excelente abordagem do assunto, mostrando em cada canto da arquitetura as adequações necessárias e como serão vistos os novos ambientes.
    Parabéns!

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